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Para inovar em educação pense em educação como serviço

Para inovar em educação pense em educação como serviço
Por Ricardo Ponsirenas*

Se você achou óbvio o enunciado acima, certamente você tem razão. Educação é, de fato, serviço. “Serviço é tudo aquilo que quando você solta não cai no seu pé”. Certo, essa foi a definição engraçadinha. Mas segundo Kotler, serviço é “qualquer atividade ou benefício que uma parte possa oferecer a outra, essencialmente intangível, e que não resulta em propriedade e sua produção pode ou não estar vinculada a um produto físico”.

No entanto, é comum em palestras ou ofertas de empresas de educação a inovação ser apresentada nessa área em embalagens como tablets, smartphones, videogames etc. Ou seja, pensando a educação como produto. Muitas vezes, a inovação também é apresentada em outros serviços, como em redes sociais de forma geral. Quem nunca se pegou lendo um artigo sobre como o twitter pode ser utilizado na educação? Antes que me entendam mal, eu acredito sim que o twitter deva ser utilizado na educação, mas o seu uso não deve ser o foco.

Inovação é sempre uma coisa boa, mas você não chega a ela pensando exclusivamente em inovar. Segundo Clemente Nobrega, parceiro SapiênCia nos temas de Gestão e Inovação, para chegar à inovação você deve se preocupar com o que ele chama de “job to be done”, ou aquilo que precisa ser feito. O resto é detalhe.

Mas em alguns projetos de e-Learning, não é incomum nos depararmos com premissas e objetivos como:

- o programa tal deve sensibilizar os alunos para o problema “X”. (até aqui estamos indo bem)

- o programa tal deve ser baseado numa comunidade em redes sociais. (começou a ficar estranho)

- o programa tal deve ser inovador. (humm…)

Vamos supor que os objetivos do programa tal sejam reais. Nesse caso, o “job to be done” é sensibilizar os alunos para o problema “X”. Excelente. Se os responsáveis pelo programa estiverem focados em resolver essa equação, poderão olhar ao redor e entender quais as melhores soluções (conceituais, tecnológicas, didáticas etc). É possível, inclusive que venham a utilizar redes sociais ou outra solução nova que otimize seus recursos e potencialize o aprendizado, o que, segundo o conceito do Clemente Nobrega, seria inovador nesse caso. Inovador por otimizar recursos ou potencializar o aprendizado, não por ser novo ou estar na moda.

Entender a educação como um serviço é fundamental para entender o “job to be done” de cada desafio educacional, de treinamento etc. E para isso, voltamos ao básico do diagnóstico do público alvo, de suas necessidades e do entendimento da profundidade e da natureza do conteúdo de um programa. Desejar que um treinamento não seja maçante, ou desperte um interesse e envolvimento diferente dos alunos é pertinente, desde que isso seja necessário para que o aprendizado aconteça. Desejar a inovação, pela inovação, pode até atrapalhar e complicar a vida dos alunos.

 

  Ricardo Ponsirenas é Diretor de Conteúdo da Ciatech.  

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